sexta-feira, setembro 21, 2007

Introspecção


Parei um momento. Acho que tenho de respirar fundo e aproveitar este raro momento de clareza. Estive a reler o post anterior (e mais uma vez encontrei um montão de erros) e fiquei surpreendido com a reacção que provocou, que foi perfeitamente oposta à que eu esperava. Afinal posso deixar sair aquilo que constantemente escondo por vergonha ou por já saber a reacção. Decidi por isso continuar a dar asas mesmo às mais absurdas das minhas ideias. E seguindo o exemplo anterior, faço das próximas linhas uma ausência real de objectividade e lógica. A introspecção como a vejo hoje...

Descalço, sentia cada pedra escaldante no leito do lago seco. A cada passo que dava estalavam as placas de terra ressequida e delas se formava um pó que lentamente se acumulava por todo o meu corpo. O Sol impiedoso rasgava camadas de pele rindo-se de não haver abrigo à sua tortura no horizonte. Parei de andar, pronto a desistir de tal demanda sem destino definido. Senti as pernas a fraquejar até cair de joelhos naquele vazio escaldante pintado de luz e castanhos. Mergulhei os dedos no solo árido numa procura desesperada por água sem me aperceber que estes se alongavam e adquiriam perfis lenhosos de raízes. Sentia-os a perfurar cada vez mais fundo, mais frio, mais húmido. Saciei a minha sede e vi-me preso naquele lugar desprovido de vida... Debati-me o mais que pude e apenas me apercebi de como o que restava do meu corpo ia lentamente transitando do estado de carne para o lenhoso. À minha volta começaram a surgir caules inúmeros e verdejantes como que a me darem as boas vindas à minha última morada. Pestanejei inúmeras vezes na esperança de tudo ser apenas fruto do Sol maldito que recosera o meu cérebro. Quando abri os olhos pela última vez, olhei para o horizonte e o nada continuava infinito, castanho e quente, apenas a vida surgia em meu redor numa dança vagarosa que brevemente me iria cobrir na totalidade. Hoje apercebo-me do nada que criei, como a vida está mesmo ao nosso redor e só a vemos quando ela se torna sufocante.

Tenho de me mover outra vez...

1 comentário:

Flash disse...

Eu bem que me parecia que tinhas apanhado muito sol...

Agora a sério, continua nesta "onda".
Gosto muito.

Abraço ressequido