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sexta-feira, setembro 28, 2007

Entardecer

Por causa do entardecer pensamos no tempo que se gasta sem fim nem começo. No fim de cada dia, estamos quase sempre demasiado cansados para avaliar como gastamos as horas de luz que nos foram entregues. Procuramos olhar o entardecer como o por do sol, algo que ocorre sempre, dura alguns escassos minutos e que por vezes é deslumbrante ou apenas o sinal do fim de um dia que ansiávamos acabar.
Escolhi esta fotografia propositadamente porque está ligeiramente desfocada. O entardecer tem múltiplas nuances e variantes, pode ser literal, romântico ou até mesmo dramático. Representa a beleza natural no seu esplendor e insuperável variedade. Assim, olhando a fotografia desfocada, alguns tentarão imagina-la em foco e como seria deliciosa para o olhar se desvendasse todos os seus detalhes, outros fitarão com desdém do fotógrafo que poderia fazer melhor, por fim há aquele pequeno grupo de pessoas que imaginarão a fotografia mais desfocada e impressionista, deixando apenas pistas das formas e dando maior realce à variedade de tons que nela se escondem.
Eu olho-a como a representação do fim de mais um ciclo, o fim de uma vida e o antecipar do nascimento que se anseia. Tento olhar a minha vida assim, como se fosse um nascer e um por do sol. No inicio e no fim do meu percurso haverá sempre beleza e harmonia, preciso mesmo é de olhar pelas minhas "horas de luz" e não deixar que sejam menos que os extremos da minha existência.

Um bem haja aqueles que conseguem aproveitar ainda a sua "luz" mesmo quando se viram privados dela.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Travelling without moving....

Tenho um mundo secreto.... Guardo-o bem escondido de toda a gente, é só meu! Mas, às vezes preciso que se saiba dele, preciso que as suas maravilhas encantem outros.
Estava a ver as fotografias tiradas nas férias e cruzei-me com esta, tão simples e pacífica, fez-me viajar. Fecho os olhos e navego pelo lago onde as raízes alimentam os juncos e abrigam os ninhos. Ouço a água somente quando remo por ela que de outra maneira não existiria como som. Ao longe vêem-se as casas e o bulício das pessoas e carros a correr pra parte nenhuma. Elevo-me com as garças que se assustam comigo, grãos de areia serpenteiam por entre ruas como se de formigas se tratassem. O ar, ensurdecedor, gela-me a cara e o corpo, quase dormentes. O horizonte cresce e curva-se, muda de cor e presenteia os seres alados com visões mágicas do mundo. O sol derrete-se nas águas do mar e precipito-me em seu encalço, embato nas ondas violentamente e sou acariciado pela espuma que se forma em meu redor. Primeiro o silêncio, depois silhuetas de ninfas que me espreitam na água baça e turbulenta. Paro um momento e embalo no rebentar das ondas na praia, cada vez mais distantes, cada vez mais escuro. Toco no fundo, cego, gelado e a sentir as vibrações de cetáceos que cantam melodias mais antigas que a humanidade.
Abro os olhos e vejo de novo a fotografia. Sorrio ao de leve a pensar o quanto as imagens me fazem viajar... para tão longe.

Fui sem ir e vi sem olhar, viajei às alturas do céu e às profundezas do oceano, bebi da minha imaginação e embriagado sorrio com prazer.